- Escreve um poema.
- Não escrevo nada um poema.
- Que chata!
- Chata? Eu? Eu sou a pessoa mais paciente do mundo. Mas já fui impaciente sim. E impulsiva. Às vezes tenho saudades de ser assim.
- Com sangue na guelra?
- Sim.
- Agora já não és?
- Não. Quase nunca. Cheguei à conclusão que não vale a pena ser assim. O sumo que recolhia desses frutos nunca me matou a sede. Mais vale viver calmamente no meu cantinho, afundar-me no sofá e fechar-me ao mundo. Deixar que a vida lá fora corra a um ritmo que já não quero alcançar.
- Não queres ou não consegues?
- Talvez consiga mas não tento sequer saber se consigo ou não. Estou cansada.
- Do quê?
- Apenas cansada.

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